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Seminário aborda Gestão Cultural

23 de maio de 2018

Com o objetivo de ampliar a visão dos jovens músicos em fase de pré-profissionalização para além das formações musicais tradicionais, foi realizado o 1º Seminário de Gestão Cultural nos dias 16 e 17 de maio. A iniciativa integra o programa de Música de Câmara da Orquestra Jovem do Estado que, em seu segundo ano, segue o objetivo de diversificar o repertório e a vivência musical dos alunos.

Para o debate, foram convidados profissionais de setores relacionados a empreendedorismo, produção cultural, políticas públicas, comunicação e branding, que discutiram a importância do conhecimento nessas áreas para a profissionalização do músico. A Irmã Rosane Ghedin, diretora-presidente do Complexo de Saúde e Cultura Santa Marcelina, deu as boas-vindas ao público e aproveitou a oportunidade para compartilhar a sua experiência como gestora. “Em qualquer área devemos procurar adquirir novas competências como complemento de nossa carreira”, disse.

Na sequência, Cláudia Toni, especialista em Política Pública na Área Cultural, fez um resgate histórico sobre a responsabilidade e o papel do músico na sociedade, e apresentou um dado interessante: apenas 12% dos músicos alemães atuam em orquestras, os outros 80% estão em outras áreas, como música de câmara. Diante dessa informação, exibiu vídeos de iniciativas de música de câmara ao redor do mundo, desde a Europa até a África, com o intuito de inspirar os jovens a inovar e a pensar “fora da caixa”. “Música de câmara não se constrói sem criatividade e sem imaginação. O músico precisa ler, ir ao cinema, frequentar o teatro. É preciso pensar a música e não apenas aprender escala”, afirmou.

Nelson Rubens Kunze, fundador e diretor da revista Concerto, também participou da programação do primeiro dia. O músico revelou o que o levou a buscar o jornalismo como profissão, abordou as perspectivas do mercado e falou sobre os desafios para manter uma revista de música clássica no Brasil. Apesar dos entraves que as artes e humanidades enfrentam, lembrou os jovens músicos de que é preciso ser “otimista, pois há um mundo fascinante a ser desbravado na profissão”. Tipos de empreendimentos sociais também foram abordados durante o Seminário. Evelin Giometti, gestora do Yunus Negócios Sociais, apresentou exemplos de empreendedorismo social e enfatizou que: “é possível criar empregos e não apenas procurar empregos”. Soraya Saide e Roberta Calza, representantes dos Doutores da Alegria, encerraram o primeiro dia de Seminário. As duas falaram sobre a história do Doutores e do programa Música nos Hospitais, iniciativa da Santa Marcelina Cultura, que há três anos oferece aos alunos um novo campo de atuação na música além dos palcos: os corredores e leitos dos hospitais.

Segundo dia de debate

O tema investimento sociocultural privado, mercado e networking abriu a programação do segundo dia de Seminário, conduzido pelo diretor de Responsabilidade Social do Bank of America Merrill Lynch e sócio-fundador da Essencial, Thiago Fernandes. Com questões como “o que é sucesso profissional?”, provocou os jovens músicos a refletirem sobre a necessidade de planejamento e gestão da própria vida e carreira.Outra provocação um pouco mais existencial foi feita por Paulo Moretti, diretor da empresa de desenvolvimento humano Simple You. A pergunta “quem é você?” despertou o público presente para a importância do autoconhecimento como ferramenta para o marketing pessoal.

Já Agenor Carvalho, diretor de Cultura e Patrimônio da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, de São José dos Campos/SP, falou sobre financiamento público e deu dicas sobre como elaborar projetos para captar recursos. Segundo ele, os projetos precisam ser bem estruturados e planejados, com cronograma de execução e orçamento coerente. “Muitos projetos culturais são considerados inabilitados porque estão mal escritos”, afirmou.

Na área de produção cultural, o músico e produtor francês Jacques Figueras abordou a importância de o músico ser autêntico e contar a sua história nas mídias sociais para se diferenciar no mercado. De acordo com ele, é preciso acreditar, arriscar e “começar antes de estar pronto”. “Não espere aprender a fazer vídeos para produzir o seu primeiro vídeo, aprenda fazendo. Você não aprende a tocar em uma orquestra sem tocar, você aprende tocando”, disse.

Música de Câmara 2018

Visando um maior desenvolvimento artístico e pessoal dos bolsistas, a Santa Marcelina Cultura criou, em 2017, o programa de Música de Câmara da Orquestra Jovem do Estado. Em seu segundo ano, segue o objetivo de diversificar o repertório e a vivência musical dos alunos ampliando a visão dos jovens para além das formações musicais tradicionais. Os bolsistas que integram o programa são acompanhados por músicos durante todo o processo, da definição de repertório até os ensaios e as apresentações. As atividades pedagógicas do programa são complementadas por disciplinas relacionadas à gestão cultural, com o intuito de desenvolver diferentes habilidades. Nas disciplinas de performance, cada grupo é supervisionado por um professor.

Divididos em 10 grupos, os alunos formam em 2018 três Quartetos de Cordas, Quarteto de Contrabaixos, Camerata de Cordas, Grupo de Metais, Duo de Percussão, Duo Flauta e Cello, Duo Flauta e Harpa e Duo de Violinos. O programa de Música de Câmara contempla apresentações gratuitas e abertas ao público em espaços como teatros, foyers de teatros, museus e praças. Dessa forma, expande não apenas a atuação do grupo, mas também as possibilidades artísticas dos bolsistas, criando um maior vínculo dos jovens com locais de apresentação, repertórios e público.

Fotos: Heloísa Bortz / Sergio Ferreira