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III Encontro Internacional de Música Antiga consolida proposta

25 de junho de 2014

Com foco na criação de uma Orquestra Barroca e um Madrigal formados especialmente para o evento, o Encontro Internacional de Música Antiga chegou em sua terceira edição com a participação de alunos da EMESP Tom Jobim, além de estudantes de outras instituições. O evento, que ocorreu entre os dias 26 e 30 de maio, proporcionou master classes com profissionais especializados nos principais conservatórios de música da Europa e com sólida experiência internacional, além de palestras e da oportunidade dos alunos se apresentarem sob a regência do flautista belga, Peter van Heyghen no concerto de encerramento.


Por meio do Núcleo de Música Antiga, que é o único no Brasil a oferecer um curso regular nessa modalidade, com uma proposta estruturada e duração de quatro anos, o objetivo principal do Encontro é difundir as práticas interpretativas históricas no Brasil e despertar o interesse pelo repertório musical dos séculos XVII e XVIII.


A programação contemplou ensaios da Orquestra e do Madrigal, no período da manhã, e palestras com o músico convidado Peter van Heyghen, no período da tarde. Além disso, as master classes foram ministradas pelos professores do Núcleo de Música Antiga: Luis Otavio Santos (violino barroco), Ricardo Kanji (flauta doce), João Guilherme Figueiredo (violoncelo barroco), Livia Lanfranchi (traverso), Marília Vargas (canto barroco), Alessandro Santoro (cravo), Natalia Chahin (oboé barroco) e Guilherme de Camargo (cordas dedilhadas barroca).

 

Concerto de encerramento do III Encontro Internacional de Música Antiga na Igreja São Luiz Gonzaga (Foto: Nelson Peixoto)

 

“Foi uma grande alegria poder organizar este evento, que é singular no país. Houve uma grande adesão de alunos, tanto de São Paulo quanto de outros Estados. As master classes também promoveram um excelente intercâmbio entre os alunos do Núcleo de Música Antiga e de outros departamentos da EMESP, com a participação de estudantes de instrumentos modernos e de outros ciclos”, afirma Luis Otavio Santos curador do Encontro Internacional de Música Antiga e coordenador do Núcleo de Música Antiga da EMESP.


Luis Otavio ressalta o real significado de a EMESP Tom Jobim oferecer a possibilidade para estudantes de outras instituições fazerem parte do Encontro e se apresentarem com músicos consagrados como o flautista belga, Peter van Heyghen. “É uma iniciativa importante e necessária. Especialmente no caso do Núcleo de Música Antiga da EMESP, uma vez que ele é o único departamento completo de ensino de instrumentos históricos do país. Assim, o exemplo da proposta pedagógica do Núcleo pode chegar às mais variadas partes do Brasil. Além disso, é uma oportunidade única construir um programa de concerto sob a direção de um grande erudito como o Peter, e também aprender junto aos professores os segredos do ofício e a disciplina do ensaio. E para arrematar, terminando numa grande confraternização, que é o concerto d encerramento”.


Realizado no dia 30 de maio, na Igreja São Luís Gonzaga, o concerto de encerramento contou com Orquestra Barroca e Madrigal – formados por 60 integrantes, alunos da EMESP Tom Jobim e de outras instituições, sendo 40 músicos de orquestra e 20 cantores, além da participação dos professores do Núcleo de Música Antiga.  
 

Convívio com os mestres


Com presença em todas as edições do Encontro Internacional de Música Antiga EMESP, a violinista Clara Sawada revela que o evento é muito aguardado pelos alunos do Núcleo de Música Antiga. “Foi um grande aprendizado e um prazer participar de mais um Encontro. Este ano, tive a honra de poder tocar literalmente ao lado do meu professor (Luis Otavio). Mesmo com ensaios intensos logo pela manhã, era uma alegria saber que estava fazendo música com pessoas incríveis. O concerto de encerramento deixou evidente a competência dos professores e do maestro Peter van Heyghen, além do empenho e dedicação dos alunos. Foi maravilhoso”, conta a musicista que estuda na EMESP Tom Jobim desde 2011.


Para Anderson Lima, que toca alaúde e guitarra barroca, a oportunidade de se apresentar ao lado do professor serve de motivação para se dedicar ainda mais aos estudos. “Esta foi a segunda vez que participei do Encontro. Acho que a possibilidade de tocar com os professores e ter a orientação de um grande regente de música antiga é única, pois podemos participar da realidade musical deles, aprender como lidam com as dificuldades e como resolvem problemas, como afinação e articulação”, afirma o aluno do professor Guilherme de Camargo.

 

 

Da esq. p/ dir: Clara Sawada, Alexandre Cruz, Ailen Meireles Chrisostomo, Carolina Rosati Colepicolo, Anderson Lima e Iara Ungarelli (Foto: Adriana Elias)

 

Ailen Meireles Chrisostomo, aluna de cravo do professor Alessandro Santoro, compartilha da opinião de seus colegas e destaca a experiência de dividir o palco com o flautista e regente belga. “Foi uma sensação maravilhosa. O Peter van Heyghen é um músico fantástico que dirige um grande grupo na Europa. Em uma semana intensa, tivemos uma experiência marcante e fundamental para a formação de um estudante. Foi uma oportunidade única”, ressalta.


Bruno Santos Gomes destacou o aprendizado que teve com a professora Marília Vargas durante os ensaios. O jovem conta que foi emocionante estar no Madrigal com sua mestre. “A Marília é minha professora há quatro anos, desde antes de eu entrar na EMESP. Cantar com ela é sempre incrível. Ela é referência no que faz. Apresentamos um som e ela transforma de uma forma muito bacana, o que dá uma outra característica para aquilo que estamos fazendo. Cantar com ela não é só cantar com a artista Marília, mas sim com uma grande professora”, revela.

 

Da esq. p/ dir: Carlos Rafael Porto, Bruno Santos Gomes, Nae Matakas e Jabez Ramos Lima (Foto: Marcus Vinicius Magalhães)

 

Professora de canto barroco da EMESP Tom Jobim, Marília Vargas ressalta a importância da participação dos professores no Encontro de Música Antiga. “É um evento esperadíssimo e fantástico, pois dá oportunidade aos nossos alunos de trabalharem diretamente com seus professores, lado a lado, fazendo música em nível altíssimo. Para nós, é um grande prazer poder fazer música ao lado dos nossos pupilos e sentir a alegria e as emoções deles com tamanha oportunidade”, conta.


Marília também destaca o interesse dos alunos pelas master classes . “São muito proveitosas. Turma grande, interessada. Foi muito difícil fazer a seleção dos 10 ativos, entre quase 40 inscritos. O interesse pela música e canto barroco é crescente e genuíno. Tenho muito orgulho da classe de canto barroco da EMESP. A primeira em uma instituição brasileira. As master classes permitem que os alunos de fora da EMESP também tenham acesso ao estudo desta música”, finaliza.


 

por Marcus Vinicius Magalhães