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Aluno é aprovado para mestrado na Universidade de Artes de Zurique

12 de julho de 2021

O flautista Lucas Martins, aluno do 4º ciclo de especialização da EMESP Tom Jobim, da classe da professora Claudia Nascimento, foi aprovado para o mestrado em Performance Musical da Universidade de Artes de Zurique, da Suíça, para estudar com os  professores Philippe Racine (flauta) e Haika Lübcke (piccolo).

Engenheiro civil pela Faculdade de Engenharia de Bauru – FEB/Unesp, Lucas seguiu o chamado artístico. Natural de Lins (SP), teve o primeiro contato com a música em 2002, no ensino fundamental, passou pelo Projeto Guri, estudou na EMESP Tom Jobim e integrou os principais grupos artísticos ligados à instituição.

No período em que fez parte da Orquestra Jovem do Estado foi premiado em duas edições do Prêmio Ernani de Almeida Machado, realizado em parceria com a Machado Meyer desde 2012. Lucas também é bolsista Magda Tagliaferro da Cultura Artística desde 2017 e recentemente foi aprovado como bolsista internacional pelo período 2021/22.

Em 2020 concluiu a graduação em Música com ênfase em Flauta Transversal pela Universidade de São Paulo (USP) e um ano depois, aos 27 anos, comemora a aprovação em uma das principais universidades de música da atualidade.

Antes de embarcar para a Suíça, Lucas compartilhou com a gente um pouco da sua trajetória musical e o processo de preparação, inscrição e aprovação na Universidade de Artes de Zurique. Confira!

Créditos: Heloísa Bortz


EMESP TOM JOBIM – Quando e como começou a estudar música?   

LUCAS MARTINS – Eu tive meu primeiro contato com a música através das aulas de musicalização na escola onde fiz meu ensino fundamental, começando em 2002 com a flauta doce e com canto coral. Migrei então, em 2004, para uma camerata coordenada pela mesma professora das aulas de musicalização, mas agora tocando flauta tenor barroca. Nesse grupo, recebi, através de uma amiga, o convite para conhecer o Projeto Guri. Chegando no projeto, em 2005, o professor à época me explicou que não seria possível estudar a flauta barroca dentro do Guri, e me sugeriu então experimentar a flauta transversal, e a identificação foi imediata, seguindo com este instrumento a partir de então.

EMESP TOM JOBIM – Quando ingressou na EMESP? Quais cursos frequentou aqui e com quais professores?

LUCAS MARTINS – Eu ingressei na EMESP em março de 2018, através do processo seletivo para os grupos artísticos. Dentro da escola fui bolsista da Orquestra Jovem do Estado, Banda Jovem do Estado e Orquestra Jovem do Theatro São Pedro. Além disso frequentei aulas de música de câmara com os professores Natan Rodrigues e Sarah Hornsby. Em 2021 ingressei no 4º ciclo de formação, na classe de flauta transversal da professora Claudia Nascimento. Participei também de diversas masterclasses oferecidas pela escola, com a Orquestra de Câmara da Irlanda, com o maestro e oboísta Heinz Holliger, com o maestro Benjamin Zander, entre outras.

EMESP TOM JOBIM – Conte um pouco da sua experiência nos grupos artísticos. De que forma essas experiências contribuíram para o seu aperfeiçoamento musical?  

LUCAS MARTINS – Eu ingressei simultaneamente, em 2018, na Banda Jovem do Estado e na Orquestra Jovem do Theatro São Pedro. As bandas de concerto são parte fundamental no desenvolvimento dos instrumentistas de sopros, porque demandam um grande apuramento técnico. Além disso, estar ao mesmo tempo na Orquestra Jovem do Theatro São Pedro me colocou, pela primeira vez, com o repertório operístico, que me fez perceber a grande paixão por ópera na minha vida. Em 2019, porém, fui aprovado no processo seletivo da Orquestra Jovem do Estado, e deixei esses grupos. Na OJESP, sem dúvidas aprendi muito sobre liderança (por ter sido chefe de naipe) e sobre o fazer musical com o grande músico que é o maestro Claudio Cruz. Na orquestra pude trabalhar também com renomados nomes do cenário mundial da música, como os maestros Bruno Mantovani, Ira Levin, Fabio Mechetti, Benjamin Zander, e como os solistas Denis Pascal, Jiyoon Lee e Anna Fedorova, trabalhando com obras que são grandes pilares do universo orquestral, e tendo a chance de gravar um CD, com obras do compositor brasileiro Claudio Santoro. Essa experiência adquirida em uma das mais importantes orquestras jovens da América Latina com certeza me amadureceu muito musicalmente, e me permitirá um acesso ao mercado de trabalho orquestral mais facilmente. Por fim não posso deixar de apontar que a minha participação nos grupos da EMESP me trouxe laços de amizades para toda a vida.

EMESP TOM JOBIM – Qual a importância da Emesp para a sua formação?  

LUCAS MARTINS – A EMESP foi responsável por me introduzir no meio musical de São Paulo, além de impulsionar, com seus professores de grande renome e artistas convidados, minhas habilidades técnico-musicais, permitindo que eu conseguisse, depois desses quatro anos, ser aprovado em uma das mais importantes universidades de música da atualidade.

EMESP TOM JOBIM – Por que escolheu estudar na Universidade de Artes de Zurique? Como foi o processo de preparação, inscrição e aprovação?   

LUCAS MARTINS – Em 2012, durante minha participação no Galway Flute Festival, que ocorre todos os anos na Suíça, tive a oportunidade de conhecer a escola, que possui os mais altos padrões de ensino e de estrutura, e de me apaixonar por Zurique, que é uma cidade incrível. Nessa época, ainda cursava o bacharelado em engenharia civil, mas já havia consolidado internamente que, assim que me formasse em música no Brasil, iria me aplicar para estudar nessa grande escola. Em meados de fevereiro de 2021, após minha colação de grau na Universidade de São Paulo, realizei minha inscrição para o processo seletivo do curso de Mestrado em Performance Musical, que devido à pandemia do novo coronavírus foi realizado de forma integralmente online. Em meados de março realizei as minhas gravações e enviei à universidade. Em abril, soube que havia sido convocado para uma entrevista com os docentes, via Zoom, para um feedback da gravação e para avaliação do meu nível de alemão (eu curso alemão desde 2018, já que é requerido nível B1 nesta universidade). Após semanas de grande ansiedade, em 14 de maio de 2021 recebi via e-mail a carta de aprovação, me designando para a classe dos professores Philippe Racine (flauta) e Haika Lübcke (piccolo). O curso terá início em 20 de setembro de 2021.

EMESP TOM JOBIM – Como foi o seu planejamento financeiro para conseguir estudar e morar fora do país?

LUCAS MARTINS – Após a notícia da minha aprovação, em 14 de maio deste ano, sentei no computador e comecei a planilhar as previsões de custo com base no que a universidade envia para nós como modelo e, como já era esperado, os custos mensais são realmente bem elevados, em torno de 6 a 7 mil reais, dependendo do câmbio. Mesmo tendo sido vencedor de duas edições do Prêmio Ernani de Almeida Machado e de contar com o apoio irrestrito dos meus pais, o dinheiro acumulado até então não seria suficiente nem para o primeiro ano de vida em Zurique. Tendo isto em mente, eu lancei uma campanha de arrecadação virtual de fundos – que pode ser acessada no meu site ou pelas minhas redes sociais, no Instagram ou no Facebook – que ficará no ar até o mês de setembro para me ajudar a viver em Zurique totalmente focado na música, até que eu me encontre no mercado profissional local.

EMESP TOM JOBIM – Quais são seus planos ao terminar o mestrado? 

LUCAS MARTINS – O meu grande sonho, após o mestrado, é conseguir entrar em uma grande orquestra e me dedicar também à música de câmara. Além disso, tenho o grande objetivo de me tornar uma referência brasileira na música, viajando o mundo com a flauta transversal e ajudando no desenvolvimento de jovens músicos do nosso país, devolvendo todo o conhecimento que será adquirido neste grande centro de referência onde irei estudar.